Com capacidade para 45 alunos por aula, o ambiente reúne professores e tecnologia para o ensino do japonês.
Orlando Moura (gestor da escola), Arone Bentes (secretário de Estado de Educação), Juscelino Kubitschek(secretário de Estado Extraordinário), Shuji Goto (cônsul geral do Japão em Manaus) e Ken Nishikido (presidente da Associação Nipo-Brasileira da Amazônia Ocidental). Foto: Andreza Maria Cunha

Falar japonês parece complicado, mas não para os alunos da Escola Estadual de Tempo Integral Bilíngue (Eetib) Professor Djalma da Cunha Batista. E agora vai ficar ainda mais fácil o aprendizado do idioma com o reforço do novo Ambiente de Mídias inaugurado na manhã desta quarta-feira (31), na instituição que é a primeira escola pública do Brasil a trabalhar com o formato bilíngue.

A cerimônia de apresentação dos novos equipamentos e seu funcionamento foi encabeçada pelo secretário de Estado de Educação, Arone Bentes, pelo cônsul geral do Japão em Manaus, Shuji Goto, o presidente da Associação Nipo-Brasileira da Amazônia Ocidental, Ken Nishikido, o secretário de Estado Extraordinário, Juscelino Kubitschek e o gestor da escola, Orlando Moura. 

Foto: Andreza Maria Cunha

Alunos do 7º ano fizeram a apresentação de uma música em japonês, e de acordo com a explicação do aluno Vinícius, a mensagem principal da canção é a busca da felicidade. A partir desse prisma, o gestor Orlando Moura iniciou sua fala, agradecendo a Secretaria de Educação, o Consulado e a Associação japonesa e todos os professores que trabalham na instituição. 

Shuji Goto externou orgulho por proporcionar oportunidades as crianças que recebem os ensinamentos na escola e ressaltou a importância de a instituição ser a primeira do país a trabalhar no formato bilíngue e ensinar o japonês. 

“Expresso total felicidade pelo japonês ser a escolha da primeira escola bilíngue do Brasil. Lembrando que aqui ele não é aplicado apenas como idioma, mas é aplicado nos ensinamentos de disciplinas como ciências e matemática” discursou com o sotaque bastante carregado. 

Foto: Andreza Maria Cunha

Durante sua fala, o secretário Arone Bentes expressou a importância da educação como base para a preparação dos futuros profissionais do estado e agradeceu por esta ser uma boa notícia no meio de tantos problemas vividos no país e no Amazonas.

“Educação é isso que vemos nessas crianças, que cantaram e depois entoaram o hino japonês com tanta segurança. Atualmente estamos acostumados a acompanhar notícias ruins, mas hoje estamos numa cerimônia de aura maravilhosa. Estamos cercados de crianças que estão indo pelo caminho correto, o caminho do aprendizado e de grandes oportunidades. O trabalho de vocês professores é para eles e por eles. Nunca se esqueçam disso”, externou Bentes.

Na oportunidade Arone Bentes fez a entrega de uma placa em homenagem ao consulado do Japão, na pessoa do cônsul Shuji Goto, pela doação de R$ 250 mil para a implantação do Ambiente de Mídias.

Foto: Andreza Maria Cunha

Durante a visitação no espaço multimídias, a estudante Emely Araújo (12) declarou que a escola é a melhor de todas e em pouco mais de um ano de vivência com o idioma, já é capaz de compreender muitas palavras e tirar de letra algumas situações.

“Eu gosto muito dessa escola e nunca pensei que falaria japonês. Fico o dia todo aqui e estudo a língua todos os dias. Hoje eu sei me apresentar, canto algumas músicas, sei várias palavras e posso me virar em algumas situações com palavras simples como cumprimentar, precisar ir ao banheiro e muito mais”, disse a aluna do 7º ano.

Foto: Andreza Maria Cunha

A professora paulista Erica Tomioga (37) é neta de japoneses e está em Manaus há sete anos. Formada na primeira turma de Letras Língua Japonesa pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Tomioga explica que o ensino no Ambiente de Mídias é um conjunto perfeito da tecnologia, dos livros doados pelo consulado japonês e o sistema virtual de educação Erin, criado pela Fundação Japão, instituição japonesa que existe desde o ano 1972.

“Na sala nós ensinamos aos alunos o sistema de escrita japonesa e somamos o uso de jogos e do site didático Erin. No site eles aprendem a pronuncia 100% japonesa através dos vídeos e diálogos que apresentam situações comuns. Atualmente os alunos já são capazes de ler todo o Erin no sistema Hiragana. O objetivo é tornar essas crianças adultos bilíngues”, enfatizou a professora que fez um intercâmbio para o Japão através de uma parceria entre o consulado e a Agência de Cooperação Internacional do Japão (Jica)

Vale lembrar que a forma correta de nomear o “alfabeto” japonês é “sistema de escrita japonesa”. São três sistemas, o Hiragana, o Katakana e o Kanji e são usados ao mesmo tempo e cada um em uma situação específica. Para tornar-se capaz de ler tudo em japonês é preciso conhecer os três sistemas.

Foto: Andreza Maria Cunha

Ambiente de Mídias

Serão 45 alunos por aula, todos os dias da semana. A sala estará dividida em ilhas, num ambiente interligado. Numa das ilhas 17 alunos poderão trabalhar a leitura do idioma japonês com a ajuda do livro e da lousa digital 4k de 75 polegadas, onde o professor bilíngue vai ministrar suas aulas e fazer pesquisas na Internet. 

Em outro ambiente os 16 tabletes serão suporte para ouvir e aprender a escrever japonês. Em outra ilha, 12 estudantes acompanharam conectados por fones de ouvido em 4 televisores o conteúdo programado para o aprendizado do idioma nipônico. 

Foto: Andreza Maria Cunha

Para Maycon Bentes, gerente executivo de Projetos Comerciais e Técnicos da ThTech, empresa responsável pela reforma e aparatos tecnológicos do Ambiente de Mídias, fazer parte deste projeto engrandece os valores e os objetivos com que trabalham constantemente.

“Os avanços tecnológicos estão possibilitando mudanças nas salas de aulas e a maneira como o conteúdo é ministrado. Hoje computadores, tabletes e até a gameficação são itens inovadores no campo da educação e estão alcançando bons resultados em vários países do mundo. É uma honra fazer parte deste projeto, principalmente por esta escola ser a primeira instituição pública de ensino bilíngue do país. O objetivo era criar um ambiente inovador e divertido que proporcione aos alunos grandes experiências, além de buscar o patamar que tantas escolas ao redor do mundo conquistam ao se destacar pela inovação no ensino. Aceitamos o desafio pois acreditamos que esse método pode chegar a outros lugares do Brasil além de Manaus, possibilitando melhorias e avanços no aprendizado dos estudantes”, destacou Maycon.

O projeto de escola bilíngue foi inaugurado no início do ano letivo de 2016 e é desenvolvido pelo Governo do Estado via Seduc, com a parceria institucional do Consulado Geral do Japão em Manaus, da Associação Nipo-Brasileira da Amazônia Ocidental (Nipaku) e Universidade Federal do Amazonas (Ufam).

Foto: Andreza Maria Cunha

Texto Andreza Maria Cunha

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