Amigos de professora, que faleceu após ter 90% do corpo queimado por companheiro em Tefé, protestaram neste sábado (3) contra violência e pedem justiça sobre o caso.
Foto: Andreza Maria Cunha

Cerca de 30 pessoas, em sua maioria mulheres, empunhavam cartazes e faixas contra o feminicídio neste sábado (3). O grupo, de amigos e conhecidos de Maria Lídia França, professora que faleceu em Manaus após ter 90%  do corpo queimado pelo namorado no munício de Tefé (a 524 quilômetros de Manaus), escolheram os semáforos próximos da Delegacia da Mulher, no bairro Parque Dez, para alertar as mulheres sobre seus direitos e pedem justiça após a tragédia.

"A maioria dos que estão aqui são de Envira como a a Maria ou são pessoas de Manaus que se sensibilizaram com a causa. Estamos aqui, manisfestando nossa indignação com o caso, esse crime bárbaro cometido contra a Lídia. Ela foi queimada viva e por isso queremos justiça. Esperamos que este não seja mais um número na estatística. Pedimos que ele seja condenado e pague pelo que cometeu", disse a professora Luciana Barbosa (32), amiga de infância da vítima.

"Não sabemos o que levou Joaby a fazer uma coisa dessas, mas tirar a vida de uma pessoa dessa forma brutal, planejada, é poque perdeu a humanidade. Não tem nada na cabeça, foi por pura maldade, porque sabíamos que ele era violento e brigavam bastante, mas a ponto de fazer este ato covarde ateando fogo na companheira dele e ver ela queimar viva? isso é um absurdo, inconcebível", manifestou emocionada Luciana.

Foto: Andreza Maria Cunha

"Estamos aqui para mostrar para a mulher que ela não deve se calar, que ela não pode baixar a cabeça. temos que incutir nas mulheres que elas são sim donas de si, senhoras dos seus direitos e tomar esse partido, ou tragédias como essa vão continuar acontecendo" finalizou a professora, uma das cabeças do movimento neste sábado (3).

Joaby Evangeslista de Araújo (29), era namorado da vítima e ficou internado no hospital de Tefé com queimaduras nas mãos. Segundo Luciana, ele foi transferido hoje (3) para a cadeia do município. De acordo com os amigos de Lídia, ela morava sozinha com o filho de 16 anos e há três anos relacionava-se com o acusado. 

Durante a ação, parece absurdo, mas houveram alguns homens contra a manifestação. Houve até um senhor, que em cima de uma moto dizia: "Prometo que não bato, estou precisando de uma namorada. Só bato se vocês pedirem. Até que são bonitinhas". Porque esse é o nível de sensibilidade de algumas pessoas perante estes casos, que deveriam inspirar a preocupação e mudança na sociedade. A pergunta é: onde está o respeito? A educação? A união? A humanidade?

Foto: reprodução

Entenda

O caso aconteceu no dia 27 de maio, no município de Tefé. Joaby  teria jogado gasolina no corpo da vítima após voltarem de uma festa. Eles teriam discutido e em seguida ateou fogo na professora. A vítima foi encontrada pelo filho e levada as presas ao hospital do município sendo transferida para a Unidade de Queimados do Hospital 28 de Agosto, em Manaus, em estado gravíssimo e não resistiu, chegando a óbito na noite do dia 1° de junho.

Dados

Segundo a Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM),  este ano já cresceu 4,02% os casos de violência contra a mulher comparados com os números do ano passado. de Janeiro a abril de 2016 houveram 3.829 registros, e no mesmo período de 2017 já são 3.983 casos, sendo ameaça (1.435), injúria (1.109) e lesão corporal (511) os mais denunciados.  A brutalidade cometida contra a envirense já é o 15° caso de feminicídio este ano, segundo dados do Fórum das Mulheres de Manaus.


Texto Andreza Maria Cunha.

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